sábado, 13 de dezembro de 2008

Fim deste projeto e das postagens

Sempre vi a minha carreira de escritor com uma seqüência de pequenas empreitadas nas quais eu iria evoluir minha literatura no mesmo compasso que fosse vivendo a vida. “O verso e a rima” foi o meu projeto da juventude, onde registrei todas as minhas inquietações desse período confuso. O projeto surgiu com esse intuito e tem o nome baseado na síntese do que foi esse período entre meus dezessete e vinte um anos, onde o verso (que sou eu) foi completamente moldado pela rima (as mulheres). Na verdade a mulher da minha vida só fez parte do ultimo ano desse projeto, mas foi justamente a parte mais importante de todas. Foram aproximadamente quatro anos de muita coisa escrita e pouca coisa vivida.

Saio de uma fase totalmente inconseqüente na vida do escritor para entrar de cabeça no mercado literário. Antes da primeira publicação o escritor é massacrado pela tortura constante do anonimato. A solidão de meus versos se acentua quando percebo o quanto são desinteressantes e pouco edificantes. Sofri muito por querer seguir uma literatura mais marginal em um momento da vida em que deveria estar estudando e me formando em alguma coisa. Acordei ao conhecer a mulher da minha vida e foi isso que me fez adiantar o fechamento desse projeto, que pensei que só aconteceria quando eu fizesse vinte e nove (baseando-me naquele preceito de que a vida só começa aos trinta), junto com um romance que pretendia escrever até lá. Mas acabei mudando completamente o rumo do projeto devido ao ocorrido comigo. Marca também esse projeto o caráter quase anônimo que desenvolveu-se a minha literatura, embora todos os poucos espectadores sempre concordassem que ela tem qualidade.

Esse projeto foi totalmente despretensioso e acabou servindo como uma bela forma de evolução literária, mas creio que ainda tenho muito que evoluir antes de me declarar escritor. Iniciarei agora o projeto “Convergência divergente”, que pretendo não levar tão longe quanto o verso e a rima. Esse período abrange oito livros escritos em quatro formas literárias: contos, crônicas, poesia e romance. Essas coisas que vivi não eram para ser vividas agora, mas acabou acontecendo. Não julguei possível me casar antes dos trinta, mas aos vinte tive essa sorte e perdi a chance por incapacidade.

Por enquanto tenho apenas dois livros desse projeto publicado, mas creio que não tardarei em publicar todos. Recentemente terminei uma homenagem que fiz para a moça que mais amo nesse mundo, mas não sei se um dia poderei publicá-la, mas confesso que ficaria muito feliz não só com a publicação, mas que essa história tivesse continuidade. Caso esteja se perguntando o motivo dessa mudança repentina de planos, o motivo de adiantar em oito anos um projeto, garanto que qualquer um pode entender: amei uma mulher, não fiz por merecer e aconteceu a separação. Esse é um belo motivo para se repensar conceitos e reavaliar projetos.

ser feliz sem Helena é ser feliz pela metade

Vai ser duro prosseguir
Quando ela me deixar
Não consigo reagir
Não consigo levantar

Quando ela me deixou
Foi dificil encarar
Que fui eu quem provocou
Que fui eu quem quis brigar

Quando ela se queixar
De que sou um idiota
Só me resta concordar
E rezar que tenha volta

omiti demais e agi de menos

Sou um velho nesse jovem
Sou caduco nesse rosto
Me renovo numa nuvem
Lhe tempero a meu gosto

Sou assim há vinte anos
Já tentei e não mudei
Mas agora tenho planos
Com a dor me reformei

Sou maluco desde cedo
Sou idoso desde quando
Vivo a vida nesse medo
Vivo a vida me calando

SALVADORA DA PÁTRIA - minha querida psicóloga

Ela ouve o que digo
Ela sabe o que faz
Só não sabe o perigo
Que a rima sempre traz

Ela ajuda e consola
Me cancela e aconselha
Me remenda sem por cola
Me abriga sem por telha

Ela sabe quem eu sou
Mesmo quando eu não sei
Olho o tempo que passou
E nem sei como passei

Ela cobra bem barato
Pra dizer o que preciso
Eu já tenho como fato
Que preciso muito disso

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

apenas quem já sofreu por amor pode ver este poema

ou POEMA TODO DE MUNDO

Não adianta por o terno
Não resolve por gravata
Não existe mais eterno
Não corrijo mais errata

É bem fácil me esquecer
Basta um dia sem ligar
Que você vai perceber
Como é bom se afastar

Já não posso mais ter par
E nem posso ser assim
Um poeta sem rimar
Uma rosa sem jardim

Não resolve mais amar
Fica apenas essa dor
Quem puder me enxergar
Já não tem nenhum amor